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<T+1>

<hist. 8 s. cap. 12>

<184>

Captulo 12



A Conscincia do Terceiro Mundo



  Nas dcadas de 50 e 60 do sculo Xx, a maioria das antigas 

colnias europias na frica e na sia tornou-se independente. 

Mas ter governo prprio e participar da ONU nem sempre impediu 

que esses novos pases continuassem subordinados  economia da 

antiga metrpole (ou seja, submetidos neocolonialismo).

  Ao mesmo tempo, os pases pobres ganhavam conscincia de que 

tinham seus prprios problemas e que, para resolv-los, era 

preciso haver uma mudana na ordem mundial. Perceberam que 

faziam parte do Terceiro Mundo e queriam superar o 

subdesenvolvimento.

  Neste captulo, estudaremos a frica, a Independncia da 

ndia, a Revoluo Chinesa e os conflitos entre rabes e 

israelenses.



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*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*

    Foto: Guerrilheiro do MPLA   o

  na luta pela independncia de      o

  Angola.                           o

eieieieieieieieieieieieieieieieieieieie

<F+>



<185>

A descolonizao da frica e da sia



  Nas dcadas de 50 e 60 do sculo Xx, a maioria dos pases da 

frica e da sia deixou de ser colnia europia. Isso foi 

possvel graas s modificaes ocorridas em todos os 

continentes aps a Segunda Guerra Mundial.

  Para comear, a Europa estava preocupada demais em 

reconstruir o que havia sido destrudo pela guerra. No tinha 

condies de controlar suas colnias. Os povos coloniais, 

ento, souberam se aproveitar da fraqueza europia naquele 

momento para conquistar sua independncia.

<P>

  As duas superpotncias apoiaram a descolonizao -- por 

motivos diversos,  bvio. O governo da URSS ficou do lado 

dessas colnias porque, desde a Revoluo de 1917, anunciava 

seu apoio  {libertao dos povos do jugo imperialista}. Para 

a URSS, cada novo pas independente significava tambm a 

possibilidade de os pases capitalistas ricos perderem o 

controle de uma parte significativa do planeta. Era uma 

vantagem na Guerra Fria. Os EUA, por sua vez, apoiaram a 

descolonizao porque, afinal de contas, os novos pases 

abriam seus mercados para os produtos americanos. Portanto, os 

EUA tinham maiores chances ainda de marcar sua liderana 

poltica mundial.

  Naqueles anos, o mundo inteiro respirava um ar de 

libertao. As idias fascistas, que defendiam a explorao 

colonial e o racismo, estavam desmoralizadas. Foi dentro desse 

clima mundial de luta contra a opresso dos povos que se criou 

a ONU -- Organizao das Naes Unidas. A ONU deu todo o seu 

apoio s independncias.

  Dentro desse quadro, ns no podemos esquecer o papel que 

teve a luta dos prprios povos oprimidos da frica e da sia. 

Ela foi decisiva. Em muitos casos, a independncia s ocorreu 

depois de uma sangrenta guerra de libertao nacional.



<F->

*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?

    Figura: pessoas guerreando.    o

  Principalmente nas dcadas 50   o

  e 60, os povos da frica e da   o

  sia deixaram de ser colnias    o

  europias. Muitas vezes, o       o

  rompimento com a metrpole        o

  exigiu a luta armada de           o

  libertao.                       o

eieieieieieieieieieieieieieieieieieiei

<F+>



<P>

Neocolonialismo 



  Os pases africanos e asiticos se tornaram independentes, 

passaram a ter seu prprio governo e at mesmo enviaram 

representantes para se sentarem nas poltronas das assemblias 

da ONU. Mas ser que as coisas tinham mudado tanto assim nas 

ex-colnias? Infelizmente, no.

  A maioria dos novos pases continuou dependendo da antiga 

metrpole: para exportar seus produtos, para importar tudo 

aquilo de que precisavam, para obter tecnologia e 

financiamentos. No fundo, os laos coloniais na economia ainda 

no estavam totalmente rompidos. Essa situao de subordinao 


em relao  ex-metrpole passou a ser chamada de 

_neocolonialismo.



<P>

<F->

*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?

    Ilustrao francesa de 1931   o

  revela as riquezas minerais       o

  proporcionadas pelas colnias     o

   metrpole (nquel, carvo,      o

  ouro, etc.). Se a Europa de-    o

  volvesse tudo o que tirou das     o

  colnias por trs sculos,        o

  seria to rica como  hoje?       o

  E as ex-colnias, que hoje       o

  fazem parte do Terceiro Mun-    o

  do, seriam to pobres assim?      o

eieieieieieieieieieieieieieieieieieiei

<F+>



<186>

Os no-alinhados



  Em 1955, na Conferncia de Bandung (cidade da Indonsia), 

reuniram-se dezenas de representantes de pases da sia e da 

frica. Esse encontro foi muito importante porque, pela 

primeira vez, afirmou-se oficialmente a existncia do Terceiro 

Mundo.

<P>

  Tal conceito se baseou no fato de que existiam dois blocos 

dominantes. O Primeiro Mundo, que era formado pelos pases do 

bloco capitalista desenvolvido: EUA, Europa Ocidental, Japo. 

E o Segundo Mundo, composto pelos pases do bloco socialista 

desenvolvido: a URSS e a maioria dos pases da Europa 

Oriental. Ns, do Terceiro Mundo, ficamos sendo {o resto}. Um 

resto que engloba a maior parte da populao mundial!

  Os pases do Terceiro Mundo reconheciam que tinham problemas 

especficos, ou seja, dificuldades que os pases ricos no 

enfrentavam. Qualquer pas do Terceiro Mundo era considerado 

subdesenvolvimento (veja o texto {O subdesenvolvimento}, a 

seguir). A partir da, surgiram diversas questes. Como 

superar o subdesenvolvimento? Como deixar de pertencer ao 

Terceiro Mundo? A Conferncia de Bandung apontou vrios 

caminhos.

<P>

  Em primeiro lugar, as naes do Terceiro Mundo queriam ficar 

fora da Guerra Fria. Pretendiam se tornar pases 

no-alinhados, ou seja, no estariam nem do lado dos EUA nem 

do lado da URSS. Essa idia era to forte que a de Bandung 

tambm ficou conhecida como a {conferncia dos pases 

no-alinhados}. Outras idias importantes eram a luta contra o 

neocolonialismo e o racismo, a defesa da unio dos pases e a 

cooperao internacional visando ao desenvolvimento conjunto 

de todos os povos.

  Princpios muito interessantes, no  mesmo? S que nem 

sempre foram seguidos. Era muito difcil aplic-los. Na 

prtica, esses pases recm-independentes eram muito frgeis 

para garantir o no-alinhamento. Acabaram tendo de assumir seu 

lado na Guerra Fria. E em geral, se ligaram ao Ocidente 

capitalista.

<P>

  Poucos pases do Terceiro Mundo conseguiram alguma autonomia 

internacional. Esse foi o caso da China e da ndia, porque 

tinham uma populao enorme, alguns recursos econmicos 

importantes e, tambm conseguiram produzir suas prprias 

bombas atmicas.

  Os pases do Terceiro Mundo so muito diferentes entre si. O 

padro de vida mdio da Argentina, por exemplo,  muito 

superior ao da Etipia; a industrializao do Brasil  muito 

mais desenvolvida que a da Malsia; a mortalidade infantil em 

Cuba  bem menor do que na Bolvia. Com tantas diferenas fica 

muito mais complicado uni-los.

  O aspecto mais importante  que a maioria esmagadora dos 

pases do Terceiro Mundo faz parte do mundo capitalista. Mas 

de um capitalismo pobre, raqutico esfomeado. Um capitalismo 

que depende da economia dos pases capitalistas mais ricos: 

depende dos financiamentos, depende dos investimentos, 

depende da tecnologia. Por isso, alguns autores j chamaram os 

pases subdesenvolvidos de _pases _dependentes.



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*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?

    Fotos: pobreza na Amrica     o

  Central, acima, e riqueza em     o

  Buenos Aires, abaixo: o chama-  o

  do {Terceiro Mundo}  hetero-   o

  gnio e cheio de contrastes.      o

eieieieieieieieieieieieieieieieieieiei

<F+>



O subdesenvolvimento



  O que  um pas subdesenvolvido, ou seja, de Terceiro Mundo? 

Em primeiro lugar, trata-se de um pas pobre. A agricultura  

atrasada, quase no utiliza mquinas. A produo industrial  

pequena em relao  populao. Mesmo nos pases do Terceiro 


Mundo em que a produo industrial vale muito mais do que a 

agrcola, como no Brasil e na Argentina, a proporo entre o 

que a indstria produz e o nmero de habitantes  pequena 

quando comparada com essa mesma relao nos pases 

desenvolvidos.  por esse motivo que s vezes ainda se fala 

dos ricos pases industrializados.

  Os pases subdesenvolvidos quase no fazem pesquisa 

cientfica. Sua economia  atrasada tecnologicamente. Os 

pases ricos, por seu lado, dominam a cincia e a tecnologia, 

sua economia gera produtos e servios melhores e mais baratos. 

O Terceiro Mundo  obrigado a comprar (e bem caro!) a 

tecnologia do Primeiro Mundo.

  Os pases subdesenvolvidos no tm muito dinheiro para 

investir na economia. Dependem de financiamentos 

internacionais, ou seja, pegam dinheiro emprestado dos grandes 

bancos dos pases capitalistas desenvolvidos. Esses bancos 

fazem muitas exigncias e cobram juros altssimos.  por isso 

que existe o grave problema da dvida externa dos pases 

subdesenvolvidos: todos os anos, eles pagam bilhes de dlares 

aos grandes banqueiros dos pases ricos.

<P>

  No Terceiro Mundo, as desigualdades sociais so muito 

maiores do que nos pases desenvolvidos. A elite  uma minoria 

riqussima, enquanto a maioria da populao  muito pobre. A 

pssima distribuio de renda  causada por fatores como o 

predomnio do latifndio (os camponeses quase no tm terras), 

os baixssimos salrios pagos aos trabalhadores (o que 

proporciona altos lucros aos patres), governos que quase no 

se preocupam em realizar obras sociais (escolas, creches, 

hospitais, casas populares).

  Tudo isso tem como reflexo as pssimas condies de vida da 

populao trabalhadora nos pases subdesenvolvidos: h muitos 

adultos analfabetos, milhes de pessoas morando em favelas ou 

debaixo da ponte, epidemias de fome, crianas morrendo por 

falta de comida e de mdicos.



<P>

<F->

*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*

    Foto: Cena tpica do Ter-   o

  ceiro Mundo: em Nova Dlhi    o

  (ndia), na dcada de 60, o    o

  prdio moderno convivia com a    o

  favela. At hoje a situao     o

  no mudou. No Brasil  muito   o

  diferente?                       o

eieieieieieieieieieieieieieieieieieie

<F+>



<187>

A descolonizao da frica



  Nas revistas ou no noticirio da tev, as notcias sobre a 

frica costumam ser muito tristes. Em geral, falam sobre 

alguma epidemia de fome, que mata milhares de famlias, ou 

ento de uma sangrenta guerra civil.

  Quando esses noticirios falam da fome, mostram que ela foi 

provocada pela seca. Quando falam de guerra civil, nos do a 

impresso de que os povos africanos so meio infantis, 

agressivos e irracionais. Mas ser assim mesmo? A causa de 

tudo estaria mesmo na natureza, seja na natureza do clima 

quase desrtico, seja na natureza humana agressiva e 

irracional?

  A esta altura, o nosso amigo leitor j percebeu que devemos 

fazer perguntas crticas a respeito de qualquer informao que 

nos forneam. Ser que a informao  verdadeira? Ser que o 


fato no estaria sendo apresentado de maneira deturpada, 

deformada? Ser que o fato no estaria sendo explicado de uma 

maneira preconceituosa?

  Vamos agora examinar de perto os problemas dos pases 

africanos aps a independncia. As dificuldades existiam nas 

dcadas de 50 e 60 e permanecem at hoje. Na verdade, muitas 

delas tm sua origem na colonizao europia. Os colonizadores 

europeus chegaram, por exemplo, a destruir a agricultura 

tradicional das comunidades africanas para impor o sistema de 

_plantation, isto , de latifndios monocultores que produziam 

principalmente para o mercado externo. A independncia no 

alterou esse quadro. A maioria das terras frteis continuou 

nas mos da elite africana ou das empresas multinacionais 

(empresas estrangeiras que investem no pas). Assim, em vez de 

alimentar o povo, a frica produz para a exportao. As 

melhores terras so destinadas s _plantations. O povo humilde 

s pode dispor das terras do interior do pas, quase estreis, 

em regies volta e meia assoladas pelas secas.



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*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*

    Cartaz de 1956, escrito em   o

  rabe e francs, mostra a        o

  unio do presidente Nasser,     o

  do Egito, com Ben Bella, l-  o

  der da luta pela independn-     o

  cia da Arglia. No cho, o     o

  monstro colonialista est        o

  morto.                           o

eieieieieieieieieieieieieieieieieieie

<F+>



<P>

  Agora, pense bem, amigo leitor: a fome na frica  causada 

s pela seca, s pela natureza? Ou pela ao humana, pela 

injustia social?

  Quando os europeus colonizaram a frica, dividiram os 

territrios sem levar em considerao os povos que l viviam. 

Naes inteiras de africanos foram divididas ao meio, com 

pedaos jogados em colnias diferentes. Uma parte de um povo 

podia viver na colnia francesa, outra vivia na colnia 

inglesa, por exemplo. Mas pior do que isso foi criar um tipo 

de colnia que reunia populaes de diversos povos diferentes. 

Povos que falam idiomas diferentes e que podiam at mesmo ser 

rivais. Ora, quando essas colnias ficaram independentes, as 

fronteiras traadas pelo colonialismo europeu foram mantidas. 

Voc percebeu a confuso que isso gerou?  como se houvesse, 

num mesmo pas, alemes, franceses e ingleses. Pois , qual 

seria a lngua oficial? Quem iria governar? Se o presidente 

fosse francs, os habitantes de origem inglesa e alem iriam 

se sentir descriminados. Pense ento nos pases africanos. S 

que, em vez de franceses, ingleses e alemes, existem os povos 

africanos, to diferentes e rivais entre si como os europeus. 

O resultado s poderia ser a briga. E  por esse motivo que de 

vez em quando h por l um golpe de Estado, uma guerra civil. 

Por causa da rivalidade das {tribos}. (O correto  falar em 

povos. Afinal, voc no fala da tribo dos italianos ou da 

tribo dos belgas, fala?) Como voc v,  muito difcil 

conseguir a unidade nacional num pas habitado por tantos 

povos diferentes.



<F->

*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?

    Foto: Dezembro de 1959: uma  o

  passeata pacfica de negros       o

  foi dissolvida  bala pelo        o

  governo racista da frica do     o

  Sul. Veja os cadveres espa-    o

  lhados pela rua.                  o

eieieieieieieieieieieieieieieieieieiei

<F+>



O racismo na frica do Sul



  A frica do Sul foi colonizada por holandeses e ingleses. No 

sculo Xx, quando o pas ficou independente, o poder continuou 

nas mos dos brancos descendentes de europeus. Os brancos eram 

donos de quase tudo: terras, minas, grande comrcio, fbricas, 

bancos. Os negros no tinham quase nada. Trabalhavam como 

jumentos, com salrios miserveis.

  O poder poltico estava todo nas mos dos brancos. S eles 

tinham direito de votar. Os governantes eram todos brancos, e 

o Estado gastava todo o seu dinheiro fazendo coisas apenas 

para a minoria branca.

  Havia um regime oficial (apoiado pelo governo) de 

discriminao racial, o chamado _apartheid. Pela lei, os 

negros tinham de viver em reas diferentes daquelas destinadas 

aos brancos. S podiam entrar nas reas dos brancos se 

tivessem autorizao especial. Muitos lugares, como praas, 

restaurantes, hospitais, cinemas, escolas e lojas, eram 

reservados para os brancos. Os negros estavam proibidos de 

botar os ps nesses locais. Se ousassem, eram presos.

  Os negros faziam o trabalho mais duro e recebiam os salrios 

menores.

  O grande partido poltico de oposio ao _aparttheid era o 

{CNA (Congresso Nacional Africano)}. O CNA no podia 

participar das eleies. Sua existncia era ilegal e seu lder 

_Nlson _Mandela, ficou trinta anos na priso. O CNA 

sobrevivia clandestinamente, escondido da polcia. Como o 

partido adotou diversas idias polticas de esquerda, seu 

principal aliado era o PCA -- Partido Comunista da frica do 

Sul. Claro que o PCA tambm era clandestino. Nele havia tambm 

muitos brancos. Alis, os comunistas eram praticamente os 

nicos brancos organizados que se arriscavam a ser presos e 

at mortos pela polcia, devido  sua luta contra o 

_apartheid.



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*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*

    Foto: Nlson Mandela, lder   o

  do CNA, heri da luta contra     o

  o _apartheid.                      o

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<F+>



  Agora voc pode juntar as partes: se o _apartheid acabasse e 

o CNA tomasse o poder junto com o PCA, a frica do Sul 

provavelmente se tornaria um pas socialista.  por isso que, 

na ONU, a URSS sempre denunciou o racismo da frica do Sul e 

exigiu presses sobre aquele pas. Pelo mesmo motivo, os EUA e 

a Inglaterra defendiam de todas as maneiras, a frica do Sul e 

seu governo racista. Ora, eles morriam de medo de que o fim do 

_apartheid fosse o comeo do socialismo.

<P>

  Quando a URSS deixou de existir, os EUA no precisavam mais 

temer que a frica do Sul tivesse um governo com participao 

dos comunistas. Ento, os norte-americanos apoiaram as 

presses mundiais contra o _apartheid, que afinal teve seu 

fim.



<189>

A independncia da ndia



  A ndia foi a mais rica colnia da Inglaterra. Mas a 

explorao colonial reduziu milhes de italianos  misria.

  O processo de independncia foi liderado pelo Partido do 

Congresso, dirigido por _Jawaharial _Nehru. Esse partido tinha 

idias nacionalistas e democrticas. Foi com ele que os 

ingleses negociaram sua retirada do pas. Afinal, o Partido do 

Congresso no defendia nenhuma idia radical, como a reforma 

agrria ou a implantao do socialismo. As elites indianas e a 

Inglaterra confiavam nele.

<P>

  Mas a independncia da ndia no teria acontecido sem os 

grandiosos protestos pacficos de milhes de indianos 

liderados por )Mahatma _Gandhi (veja o texto {Gandhi e a 

desobedincia civil}, a seguir). Multides cada vez maiores 

desafiaram as autoridades britnicas. Nada podia ser feito 

diante da fora e da vontade das massas. Assim, em 1947, a 

ndia tornou-se independente, adotando um regime de governo 

parlamentarista.

  A ndia procurou torna-se equidistante dos dois blocos 

hegemnicos mundiais: permaneceria capitalista, mas tinha boas 

relaes com a URSS.

  A filha de Nehru (o nome Gandhi  uma espcie de {Silva} 

indiano) foi a primeira-ministra Indira Gandhi, que assumiu em 

1967. Ela utilizou o Estado para apoiar o desenvolvimento 

capitalista do pas. Esse desenvolvimento aprofundou os 

problemas da sociedade indiana. O mais grave de todos  a 

existncia de centenas de milhes de pessoas absolutamente 

miserveis.

  A ndia  uma mistura de dezenas de povos e de religies 

diferentes, situao que gera muitos conflitos. Dentro do 

territrio indiano h populaes que no aceitam a religio 

das outras e h povos, como os sikhs, que querem criar um novo 

pas. Os conflitos entre os adeptos da religio muulmana e os 

da religio hindu j provocaram a separao de uma parte do 

pas (os indianos muulmanos criaram o Paquisto e Bangladesh, 

em 1947). A intolerncia religiosa e poltica resultou at 

mesmo no assassinato de Indira Gandhi (1984) e de seu filho 

(em 1991), que tambm era poltico influente.



<F->

*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*

    Foto: A primeira-ministra    o

  Indira Gandhi procurou moder-  o

  nizar a economia e a socie-      o

  dade indiana. Mas no           o

  conseguiu diminuir as            o

  diferenas sociais.              o

eieieieieieieieieieieieieieieieieieie

<F+>



Gandhi e a desobedincia civil



  Mahatma Gandhi nasceu na ndia (1869), numa famlia rica. 

Recebeu uma fina educao europia e estudou em Londres, onde 

se tornou formou em Direito. Quando voltou para a ndia, j 

tinha muitas idias contestadoras na cabea. Solitrio com o 

povo humilde, abandonou os ternos de linho e passou a se 

vestir com as roupas dos indianos pobres. Essa atitude era 

tambm um modo de negar a cultura da elite europeizada.

  Gandhi pregava a ttica da no-violncia e da desobedincia 

civil. Simplesmente se recusava a reconhecer o poder colonial. 

Sua grande lio: desobedecer, recusar a seguir as ordens dos 

opressores, dizer no  tirania.

  Milhes de pessoas na ndia comearam a seguir as idias de 

Gandhi. Em 1930, houve a clebre Marcha do Sal. O governo 

ingls proibia que os indianos produzissem sal de cozinha, 

obrigando-os a comprar o produto dos comerciantes britnicos. 

Gandhi reuniu milhares de pessoas, que caminharam 400 

quilmetros at o mar para obter o sal. Quando a polcia 

chegou, Gandhi e a multido se entregaram sem resistncia. Eis 

a a desgraa da polcia colonial: como botar na cadeia 

dezenas de milhares de pessoas? Impossvel! E, assim a Marcha 

do Sal foi vitoriosa.

  A ttica pacifista de Gandhi deu certo porque teve a adeso 

de milhes de indianos. Entretanto,  preciso levar em conta 

que, na mesma poca, os trabalhadores nas grandes cidades 

montaram barricadas para enfrentar as tropas inglesas. O 

sangue vertido pela classe operria indiana foi to importante 

quanto o pacifismo e a desobedincia civil organizados por 

Gandhi.

  Infelizmente, Gandhi no conseguiu acabar com as 

divergncias religiosas que existem entre os indianos. Ele 

prprio foi vtima dessa desunio: em 1948, um fantico 

muulmano o matou.



<F->

*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*

    Foto: Gandhi era o santo que   o

  no fazia milagres. No matou     o

  nem agrediu, mas tambm no se     o

  curvou diante do opressor.         o

eieieieieieieieieieieieieieieieieieieie

<F+>



<190>

A Revoluo Socialista na China



  A China era uma civilizao com milhares de anos de cultura, 

orgulhosa de seus feitos. At que, no sculo Xix, os pases 

imperialistas a ocuparam, entupiram-na de pio e de 

mercadorias industrializadas, rasgaram-na em reas de 

influncia, humilharam, pisotearam e desprezaram o seu povo. O 

pas foi transformado num formigueiro humano de famintos. 

Centenas de milhes de pessoas desdentadas, vestidas com 

farrapos, que cultivam arroz e contavam os gros que podiam 

comer. Apenas uma elite de chineses, associados aos 

investidores estrangeiros, podia viver o luxo e o cio em seus 

magnficos palcios.



<F->

*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?

    Gravura de 1951 mostra os   o

  camponeses chineses aprenden-   o

  do a manejar o trator. A re-   o

  forma agrria comunista tinha   o

  eliminado os latifundirios.    o

eieieieieieieieieieieieieieieieieiei

<F+>



  No alvorecer do sculo Xx, as coisas comeam a mudar. Em 

1911, nacionalistas chineses, liderados por _Sun _Yat-sen, 

chefiaram uma revolta que derrubou o imperador e proclamou a 

repblica. Sun Yat-sen tinha sido o fundador do _Kuomintang, o 

Partido Nacionalista. Ele sonhava com um Estado democrtico, 

que estimulasse a modernizao econmica da China.

  As coisas no transcorreram como o patritico Sun Yat-sen 

imaginava. Depois de sua morte (1925), o Kuomintang passou a 

ser liderado por Chiang Kai-shek. O novo governante chins 

aproximou-se dos pases ocidentais porque precisava de 

segurana para garantir seu domnio poltico sobre toda a 

China.

  Mas Chiang Kai-shek tinha agora um rival a enfrentar, o 

{Partido Comunista da China (PCC)}, fundado em 1921. O 

Kuomintang perseguiu os opositores, assassinando milhares de 

comunistas (Massacre de Xangai, 1927). A fuga dos comunistas 

foi uma verdadeira europia. Na _Longa _Marcha, liderados por 

_Mao _Ts-tung (veja o texto {O professor e os guerrilheiros}, 

a seguir), percorreram mil lguas (6 mil quilmetros) sob o 

fogo das tropas do governo chins. Na histria, a nica marcha 

guerrilheira que superou a Longa Marcha foi a Coluna Prestes 

no Brasil! Depois de mais de duzentos combates, enfrentando o 

deserto, a neve e a floresta, os sobreviventes chegaram ao 

noroeste da China, praticamente inacessvel ao inimigo.



<F->

*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*

    Pintura: O jovem Mao        o

  Ts-tung explica ao povo os     o

  motivos para a luta comunista.   o

  Na Revoluo chinesa, os cam-  o

  poneses foram a fora social     o

  predominante.                    o

eieieieieieieieieieieieieieieieieieie

<F+>



  A Segunda Guerra Mundial tinha comeado mais cedo para os 

chineses. Desde 1937 que o Japo havia lhes declarado guerra 

total para submeter o pas. Para enfrentar o inimigo, o PCC e 

o Kuomintang acertaram uma trgua. Na verdade, os generais do 

Kuomintang, dominados pela corrupo, pouco faziam. A 

liderana da luta patritica contra os japoneses passou para 

Mao Ts-tung e o PCC. Com isso, os comunistas ganharam um 

enorme prestgio junto  populao.

<P>

  Quando a Segunda Guerra acabou, em 1945, quase ningum mais 

acreditava no Kuomintang. Os guerrilheiros de Mao Ts-tung 

agora formavam um poderoso Exrcito Vermelho, com centenas de 

milhares de camponeses armados. A _Revoluo _de _1949 abriu 

caminho para o desfile triunfal dos comunistas em Pequim. 

Chiang Kai-Sheik fugiu para a ilha de Formosa, que continuou 

capitalista(e  chamada tambm de China Nacionalista).



<191>

Socialismo na China



  Com medo de uma represlia do Ocidente, Stlin tinha 

recomendado aos comunistas chineses que no tomassem o poder. 

Ordenara que colaborassem com o Kuomintang! Porm Mao Ts-tung 

ignorou as orientaes do lder sovitico e os comunistas 

chineses tomaram o poder na Revoluo de 1949.

<P>

  De incio, o novo governo comunista aceitou a existncia dos 

pequenos empresrios. Nessa primeira etapa da revoluo, 

chamada de _Nova _Democracia, as grandes e mdias propriedades 

rurais foram confiscadas pelo Estado e entregues aos 

camponeses. A _reforma _agrria foi muito importante para 

diminuir a pobreza no pas. Milhes de pessoas que antes 

viviam entulhadas nas favelas da periferia de Xangai e Pequim 

ganharam terra para trabalhar. Tambm foi organizado um 

gigantesco movimento de educao popular, que alfabetizou 

dezenas de milhes de adultos. As mulheres, que at ento eram 

tratadas como servas domsticas, ganharam igualdade de 

direitos com os homens. Sem dvida, era uma nova China que 

estava nascendo!

  Em 1953, todas as empresas, bancos e indstrias passaram 

para o controle do Estado. A China se tornava um pas 

socialista que seguia o modelo sovitico, com apoio total  

indstria pesada e  economia dirigida por Planos Qinqenais. 

A URSS ajudava bastante, enviando dinheiro, tecnologia, 

engenheiros, mdicos, professores e operrios especializados.

  De 1958 a 1962, os chineses arriscaram o Grande Salto para a 

Frente, que era um ambicioso plano de desenvolvimento 

econmico. Eles chegaram a sonhar em se tornar um pas 

desenvolvido no prazo de apenas uma dcada! Os camponeses se 

organizaram em grandes cooperativas chamadas _comunas _rurais. 

Cada comuna era uma fazenda coletiva (onde tudo pertencia a 

todos, que trabalhavam em cooperao) com milhares de famlias 

camponesas. Essas comunas tinham seus prprios recursos para 

investir, incluindo a instalao de pequenas indstrias, 

escolas e hospitais. Porm o sonho mostrou-se incompatvel com 

a dura realidade. No havia recursos suficientes para que as 

comunas rurais pudessem ter todos os servios que projetavam. 

A tentativa de construir em cada comuna minifornos para forjar 

ao revelou-se um fiasco tcnico, levando a um desperdcio 

incrvel de matria-prima. Para piorar, aconteceram graves 

enchentes, que destruram plantaes e provocaram fome. O 

Grande Salto para a Frente tinha fracassado. O resultado foi 

uma terrvel epidemia de fome que dizimou milhares de pessoas.



O professor e os guerrilheiros



  Mao Ts-tung foi o grande lder comunista da Revoluo 

Chinesa de 1949. Ele era filho de um prspero fazendeiro. 

Jovem, estudou os pensadores ocidentais e a histria da China. 

Durante algum tempo, foi professor. Mais tarde, diria: {Um 

professor vale por cem guerrilheiros}. Em 1921, aderiu ao 

Partido Comunista.

  Mao Ts-tung teve uma grande oportunidade de estudar na 

Europa, mas preferiu na China e lutar por seu povo. Foi um 

grande estadista e comandante militar. Escreveu livros sobre 

poltica, filosofia e economia. Praticou esportes at a 

velhice. Amou inmeras mulheres e por elas foi correspondido. 

Mas jamais se esqueceu de que sua esposa e seu filho tinham 

sido assassinados pelas tropas do Kuomintang de Chiang 

Kai-shek.

  Para muitos chineses. Mao  ainda um grande heri. Mas, para 

os chineses anticomunistas, no passou de um ditador.



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*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?

    Foto: Mao Ts-tung era cha-  o

  mado de {o Grande Timoneiro}.   o

  Contrariando Stlin, levou os   o

  comunistas ao poder absoluto      o

  na China. Mas, como governan-   o

  te, agiu de forma parecida com    o

  Stlin, perseguindo os oposi-    o

  tores e utilizando recursos       o

  de propaganda para criar a        o

  imagem oficial de que era         o

  infalvel.                        o

eieieieieieieieieieieieieieieieieieiei

<F+>



URSS `* China



  No comeo dos anos 60, o mundo assistiu  surpreendente 

briga entre a URSS (agora dirigida por Kruchev) e a China 

(ainda dirigida por Mao Ts-tung). A China no aceitava mais 

que os soviticos determinassem como deveria ser construdo o 

socialismo. Alm disso, a URSS de Kruschev defendia a 

{coexistncia pacfica com o capitalismo}, coisa que os 

chineses rejeitavam. Para Mao Ts-tung, o imperialismo era {um 

tigre de papel}, que poderia ser vencido numa guerra mundial 

entre o socialismo e o capitalismo!

  A separao foi dura. Um pas acusava o outro de haver 

{trado o socialismo}. Romperam relaes e quase chegaram  

guerra.

  Nas pginas 246 e 247 do captulo 16, ns estudaremos o 

desenvolvimento do socialismo chins. Aguardem!



<P>

Os problemas do Oriente Mdio



  {Uma bomba explode em Israel e mata crianas num nibus 

escolar. A aviao despeja bombas incendirias em acampamentos 

de refugiados palestinos.} Notcias pavorosas como essa 

mostram que o Oriente Mdio  uma das regies mais violentas 

do planeta. Mas por que tantos conflitos?

  Para comear, no Oriente Mdio esto alguns dos maiores 

produtores mundiais de petrleo, como a Arbia Saudita, o 

Kuawit, o Iraque, o Ir e a Lbia. Portanto, as grandes 

empresas multinacionais precisam de governos {confiveis} na 

regio que garantam o fornecimento de petrleo. Outro ponto 

de complicao  o canal de Suez, por onde os grandes navios 

cortam caminho, passando do mar Mediterrneo ao oceano ndico. 

Alis boa parte desses navios transporta petrleo de pases da 

regio. Quem controlar o canal de Suez poder dar muita dor de 

cabea aos interesses dos pases capitalistas desenvolvidos. 

Outro problema, ainda,  que os pases rabes no aceitaram a 

criao do Estado de Israel e promoveram at guerras para 

destru-lo. Para piorar a situao, o povo palestino enfrenta 

Israel para ter o direito de construir seu prprio Estado 

nacional.



<F->

*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*

    Mapa de Israel. O territ-    o

  rio original de Israel (pre-      o

  visto pela ONU) foi se am-       o

  pliando na medida em que os        o

  pases rabes agressores           o

  foram derrotados nas guerras       o

  de 1949, 1956 e 1973. Os       o

  maiores prejudicados foram os      o

  rabes palestinos, que perde-      o

  ram suas terras e seu Estado      o

  em 1949. Na foto, a Intifada,   o

  a rebelio das pedras dos          o

  palestinos contra a ocupao       o

  israelense (1987).                o

eieieieieieieieieieieieieieieieieieieie

<F+>



rabes e israelenses



  Durante sculos, o Oriente Mdio pertenceu ao Imprio 

Turco-Otomano. Depois da Primeira Guerra (1914-1918), os 

turcos perderam esse domnio para a Frana e a Inglaterra. 

Finalmente, aps a Segunda Guerra (1939-1945), uma poro de 

pases do Oriente Mdio ganhou a independncia.

  H dois mil anos o povo judeu habitava a Palestina (onde 

hoje est Israel), quando ela foi ocupada pelos invasores 

romanos. Ento tiveram incio a fuga e a disperso dos judeus 

(dispora) para a Europa e outras regies do Oriente Mdio.



<P>

<F->

*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*

    Cartaz defende a {organiza-   o

  o geral dos trabalhadores      o

  hebreus de Israel}. Judeus     o

  com ideais socialistas funda-    o

  ram os Kibutzim (cooperativas   o

  agrcolas com grande igualda-    o

  de entre os que viviam nelas).   o

eieieieieieieieieieieieieieieieieieie

<F+>



  O povo judeu sofreu muita discriminao na Europa. Foi 

perseguido durante sculos. J no fim do sculo Xix, um 

intelectual judeu austraco chamado Theodor Herzl, criou o 

movimento sionista, que pregava o retorno do povo judeu  sua 

terra original, a Palestina. Herzl acreditava que l os judeus 

estariam em segurana. E assim comeou uma grande peregrinao 

de judeus para os territrios prximos  cidade de Jerusalm.

<193>

<P>

  Depois da Primeira Guerra, a Palestina passou a ser 

controlada pelos ingleses, que deram fora para a imigrao 

dos judeus para a regio. Para os ingleses, os judeus estavam 

levando a cultura europia para o Oriente Mdio e ajudariam a 

manter o controle ocidental sobre a regio. O problema  que 

j existia um povo de origem rabe vivendo na regio, os 

palestinos. Comeava a a disputa entre judeus e palestinos 

para ver quem seria o dono das melhores terras.

  Quando a Segunda Guerra terminou, o mundo estava chocado com 

o que os nazistas tinham feito com os judeus. Por isso, em 

1948, a ONU, com o apoio dos EUA e da URSS, resolveu criar na 

Palestina dois novos pases: Israel, para os judeus, e a 

Palestina, para os rabes palestinos.

<P>

  Judeus de todos os cantos do mundo foram viver em Israel e 

construir sua ptria. Os palestinos, por sua vez, no 

aceitaram a situao. Alegavam que a populao de judeus na 

regio era inferior  de palestinos e que, no entanto, a ONU 

havia concedido a Israel em territrio maior do que a 

Palestina.

  Os pases rabes consideraram essa diviso uma grande 

injustia. Achavam que Israel no tinha o direito de existir, 

que tudo deveria ter sido entregue aos palestinos. Meses 

depois de sua criao, Israel foi atacado pelos exrcitos 

rabes do Egito, Iraque, Lbano, Sria e Transjordnia (que 

hoje se chama Jordnia). Mas Israel, armado pelos EUA, venceu 

facilmente e engoliu 75% do territrio palestino. O restante 

foi abocanhado por jordanianos e egpcios. Resultado: os 

palestinos no tinham mais uma ptria.

<P>

  Comeava agora um drama e uma luta herica: a luta do povo 

palestino para ter uma terra na qual pudesse construir seu 

Estado nacional. O principal grupo nacionalista palestino  a 

OLP -- Organizao para a Libertao da Palestina, comandada 

por Yasser Arafat, um nacionalista com idias 

social-democratas. Inicialmente, a OLP era um grupo 

guerrilheiro que utilizava o terrorismo contra Israel. Quando 

percebeu que s a violncia no adianta muita coisa, passou a 

valorizar os acordos diplomticos.



<P>

<F->

*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*

    Foto: A cidade de Jerusalm   o

   sagrada para trs religies:     o

  a judaica, a crist e a muul-     o

  mana. Vemos aqui a Cpula do     o

  Rochedo (Qu-bbat al Sakhra,     o

  sculo Viii), monumento muul-    o

  mano. Fundada pelos cananeus      o

  por volta de 4000 a.C., Jeru-   o

  salm foi conquistada pelo rei     o

  hebreu Davi (cerca de 1000       o

  a.C.). Foi l que Salomo       o

  construiu seu templo. J foi      o

  dominado por babilnios, roma-     o

  nos, rabes, turcos e ingleses.    o

  Hoje pertence a Israel.          o

eieieieieieieieieieieieieieieieieieieie

<F+>



   bvio que a Guerra Fria tambm influenciou o Oriente 

Mdio. Israel tinha o apoio aberto do governo dos EUA. o 

poderoso exrcito israelense contava com muitas armas 

sofisticadas fornecidas pelos norte-americanos. A OLP, por sua 

vez, tinha apoio dos rabes porque os palestinos so rabes. 

Como Israel estava ligada aos EUA, a URSS apoiava a OLP.

  Os pases rabes no se conformavam com a existncia de 

Israel. Por isso, volta e meia se preparavam para uma guerra. 

Atacaram Israel na Guerra do Suez (1956), na Guerra dos Sete 

Dias (1967) e na Guerra de Yom Kippur (1973). Nessas trs 

guerras, as foras de Israel, com um armamento muito mais 

moderno e uma brilhante organizao militar, derrotaram os 

invasores. A cada invaso, Israel ocupava um territrio maior 

 sua volta, e os palestinos pareciam cada vez mais distantes 

do sonho de ter sua ptria. Somente com o fim da Guerra Fria  

que palestinos e israelenses puderam chegar a um acordo 

(1995).



<P>

<F->

*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?

    Cartaz: Israel contra o blo-  o

  queio rabe (cartaz de 1955,     o

  escrito em hebraico).             o

eieieieieieieieieieieieieieieieieieiei

<F+>



<194>

Texto Complementar



  A cearense Maria Yedda Linhares  uma das mais notveis 

historiadoras brasileiras. No texto a seguir, ela analisa a 

situao das ex-colnias formulando trs questes bsicas: a) 


Ser que, depois de independentes, os pases no continuam, de 

alguma maneira, dominados pelos pases capitalistas ricos? b) 

Os pases do Terceiro Mundo tm autonomia para escolher seus 

prprios caminhos de desenvolvimento ou so obrigados a seguir 

modelos impostos pelos pases capitalistas desenvolvidos? c) 

Como superar a herana colonial, ou seja, como destruir as 

estruturas montadas pelo colonialismo e que provocam a 

misria, a desigualdade social, a instabilidade poltica e as 

ditaduras?

  Vamos agora ao texto da professora:



  {A questo que se coloca, aps a conquista da independncia 

e a ruptura dos elos de dominao direta,  a de saber em que 

medida o colonialismo persiste e por quais metamorfoses (novas 

aparncias) passou a noo de Imprio. (...)

   foroso reconhecer que o fim dos imprios coloniais dos 

sculos Xix e Xx no resultou de uma deciso metropolitana ou 

do desejo de abdicao do poder, e sim da capacidade de 

revolta que  inerente (faz parte, est dentro) ao oprimido. 

(...)

  Uma segunda questo diz respeito  possibilidade de terem os 

pases recentemente (menos de meio sculo) libertados em 

alguns casos, aparentemente libertados da dominao 

colonialista direta, de escolher o seu prprio caminho de 

afirmao poltica e de identidade cultural. (...)

<P>

  E, finalmente, uma terceira questo. Como enfrentar a 

batalha contra a fome, contra as desigualdades sociais 

internas, contra a ameaa constante de governos opressores e 

de ditaduras pseudomodernizantes, e, sobretudo, como dominar 

os males do subdesenvolvimento legados pelo colonialismo e 

aprofundados pelos novos mecanismos de dependncia?}



  (Linhares, Maria Yedda. {A luta contra a metrpole (frica e 

sia: 1945-1975)}. 4 ed. So Paulo: Brasiliense, 1986, pp. 

108-111.)



  A partir do que  apresentado pela autora do texto acima, 

procure responder:



  1. A independncia das colnias na frica e na sia sempre 

resultou na total autonomia dos novos pases em relao aos 

antigos dominadores da metrpole?



  2. Os povos oprimidos tiveram participao no processo de 

{descolonizao}?



  3. Depois de independentes, os novos pases tinham idias a 

respeito de como se desenvolver. Muitos desconfiavam do 

caminho capitalista por considerar que ele manteria a 

subordinao aos pases ricos. Queriam seguir seus prprios 

passos. Em relao a isso, qual  o questionamento que a 

historiadora faz?



  4. Hoje, os pases africanos e asiticos tm muitos 

problemas: fome, guerras, ditaduras, desrespeito aos direitos 

humanos, atraso econmico. O que o colonialismo tem a ver com 

isso?



<195>

Exerccios de Reviso



  1. Em 1960, o Congo belga se tornou independente. Na 

ocasio, o rei da Blgica, Balduno, exaltou as qualidades do 

antigo rei Leopoldo Ii, que iniciou a penetrao imperialista 

no pas: {Desde que Leopoldo Ii empreendeu esta grande obra 

(...) ele no vos  apresentado como conquistador, mas como 

civilizador. (...) O Congo foi dotado de estradas de ferro, 

estradas de rodagem (...). A agricultura foi aperfeioada e 

modernizada. Grandes cidades foram construdas. (...)}. O 

primeiro governante do Congo independente, o socialista 

Patrice Lumuba (mais tarde assassinado por elementos apoiados 

pelo servio secreto dos EUA), tinha outra opinio: {Esta 

independncia do Congo (...)  uma luta de lgrimas, fogo e 

sangue (...), pois esta foi uma luta justa e nobre, uma luta 

indispensvel para colocar fim  humilhante escravido que nos 

foi imposta pela fora. (...) Ns conhecemos o trabalho 

estafante exigido em troca salrios que no permitiam matar a 

nossa fome (...). Conhecemos as ironias, os insultos, os 

golpes dados pela manh, ao meio-dia e ao anoitecer, porque 

ramos negros. (...) Conhecemos a espoliao de nossas terras. 

(...) Descobrimos que havia nas cidades casas magnficas para 

os brancos e barracos desabando para os negros: que um negro 

no era admitido nos cinemas, nem nos restaurantes, nem nas 

lojas ditas europias. (...) Quem esquecer, enfim, os 

fuzilamentos, onde pareceram muitos de nossos irmos, ou os 

calabouos onde foram brutalmente lanados aqueles que no 

queriam se submeter a um regime de injustias?} Analise os 

dois discursos e mostre as diferenas entre eles. O {olhar do 

dominador} (o colonizador)  o mesmo do dominado (o 

colonizado)?



  2. Analise o papel das duas superpotncias em relao ao 

processo de descolonizao africana e asitica.



  3. Determine a importncia das lutas dos povos africanos e 

asiticos no processo de descolonizao.



  4. Caracterize o neocolonialismo.



  5. {(...) A Conferncia est de acordo: 1) em declarar que o 

colonialismo, em todas as suas manifestaes,  um mal para o 

qual deve ser encontrado um fim urgente; 2) em declarar que a 

questo dos povos submetidos  dominao estrangeira,  sua 

dominao e  explorao constitui uma negao dos direitos 


fundamentais do homem,  contrria  Carta das Naes Unidas e 


impede o favorecimento da paz e da cooperao mundiais. 

(...).} (Declarao de Bandung.) Em 1955, na Indonsia, foi 

realizada a clebre Conferncia de Bandung, reunindo diversos 

pases africanos e asiticos recm-emancipados da colonizao. 


O que os participantes da Conferncia de Bandung propunham em 

relao  diviso do mundo na Guerra Fria? Qual a posio da 


Conferncia em relao ao colonialismo e ao racismo? O que 

significava um pas pertencer ao Terceiro Mundo?



  6. Indique as principais caractersticas de um pas do 

{Terceiro Mundo} ({subdesenvolvido}).



  7. o que significava a proposta de ser no-alinhado? Os 

pases do Terceiro Mundo conseguiram ser no-alinhados? Por 

qu?



<196>

  8. Quais foram os efeitos da colonizao europia sobre a 

economia e a situao poltica dos pases da frica no sculo 


Xx?



  9. Explique o que era a poltica do _apartheid na frica do 

Sul.



  10. {Basicamente, lutamos contra dois problemas cruciais na 

vida do povo da frica do Sul: (...) a pobreza e a falta de 

dignidade humana.} (Nlson Mandela, 1964.) Diga em poucas 

palavras qual foi o papel poltico de Nlson Mandela na frica 

do Sul. (Diga qual era o partido a que ele pertencia, contra 

quem lutava, quais eram seus ideais, o que foi feito com ele.)



  11. {Na Organizao das Naes Unidas, a Unio Sovitica, a 


ndia e muitas outras tm sistematicamente se identificado 

incondicionalmente com a luta do povo oprimido pela liberdade, 

enquanto os Estados Unidos vm com freqncia se aliando 

queles que lutam para escravizar os outros. (...) O futuro 

deste continente no est nas mos dos regimes desacreditados 

que se aliaram ao imperialismo americano.} (Nlson Mandela, 

lder negro sul-africano, 1958.) Durante a Guerra Fria, qual 

era a posio dos EUA e da URSS em relao ao regime racista 

da frica do Sul?



  12. Diga em poucas palavras qual foi o papel poltico de 

Mahtma Gandhi na ndia. (Diga contra quem lutava, quais eram 

suas tticas de luta, qual o objetivo que queria alcanar.)



  13. {(Para solucionar) assuntos de natureza ideolgica ou 

questes em debate, s podemos usar mtodos democrticos, 

mtodos de discusso, de crtica, de persuaso, de educao, 


e no mtodos de coao e de imposio.} (Mao Ts-tung, 1956.
) 

Explique, resumidamente, a importncia poltica de Mao 

Ts-tung. (Dica: diga o partido a que ele pertencia, qual a 

corrente poltica que seguia, seus ideais para a China, a 

posio poltica que alcanou.)



  14. Enumere trs mudanas profundas na China, logo aps a 

revoluo de 1949, sendo uma a respeito da economia agrcola, 

outra sobre a educao popular e a terceira sobre a situao 

das mulheres.



<P>

  15. De 1958 a 1962, o Partido Comunista da China organizou o 

Grande Salto para a Frente, que era uma poltica econmica 

visando transformar o pas em uma potncia econmica. O que 

propunha ser feito na agricultura? Foi bem-sucedido?



  16. Explique como era a relao entre a China e a URSS em 

trs etapas histricas: um pouco antes da Revoluo de 1949, 

depois da Revoluo e no comeo dos anos 60.



  17. {No dia 7 de janeiro de 1949, a guerra de independncia 

est essencialmente terminada. Israel conquistou seu Estado 

pelas armas. Um territrio maior do que aquele que a 

diplomacia revelou-se impotente para garantir. (...) Cerca de 

600.000 palestinos so obrigados a deixar suas casas. Nasce o 

_problema _dos _refugiados.} (Bernavi, lie, dir. {Histria 

universal dos judeus}. So Paulo: Cejup, 1995, p. 245.) 

Determine os quatro principais focos de tenso poltica e que 

provocaram guerras no Oriente Mdio desde a Segunda Guerra at 

os dias de hoje.



  18. Qual era o objetivo bsico da OLP -- Organizao para a 

Libertao da Palestina, dirigida por Yasser Arafat?



<197>

Reflexes Crticas



<F->

*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*

    Figura: negro sentado na      o

  frente de um computador, fa-     o

  lando no celular e tomando       o

  Coca-Cola. O capitalismo j   o

  penetrou nos poros das socie-    o

  dades africanas tradicionais.    o

eieieieieieieieieieieieieieieieieieie

<F+>



  1.  possvel um pas de Terceiro Mundo superar seus 

problemas sociais mais graves? Ser que um pas s supera as 

injustias sociais quando deixa de ser economicamente 

subdesenvolvido?



  2. Gandhi, um dos maiores lderes populares na luta pela 

independncia da ndia, dirigiu esta mensagem ao povo: {A 

primeira coisa, portanto,  dizer-vos a vs mesmos: No 

aceitarei mais o papel de escravo. No obedecerei s ordens s 

porque so a lei, porque desobedecerei sempre que estiverem em 

conflito com a minha conscincia. O vosso opressor poder at 

utilizar a violncia para vos forar a servi-los. Direis a 

ele: No obedecerei nem por dinheiro nem por ameaa. Isso 

poder trazer sofrimentos. Mas vossa coragem acender a tocha 

da liberdade, que no mais poder ser apagada}. Escreva sua 

opinio sobre essas idias. Voc concorda? Seu comportamento 

atual est de acordo com essas idias? Voc acha que elas 

ainda seriam vlidas para o mundo atual, na entrada do sculo 

Xxi?



          ::::::::::o::::::::::
